Crônicas sobre a vida cotidiana, com o realismo pertinente. Histórias ou estórias muitas delas fruto da imaginação, ou mesmo retiradas ou conhecidas do folclore nacional, do imaginário popular, podendo ser verídicas ou não.
Por Um instante | Sexta-feira, 10 Setembro , 2010, 12:57

 

 

Era uma prostituta que fazia ponto no centro da cidade frequentando bares noturnos, sempre em contato com gigolôs que por vezes agenciavam programas, ora conseguindo alguns individuais, ora praticando delitos para complementar a renda.
Teve uma infância normal, filha de um pai que por se achar mais esperto que os outros, vivia praticando pequenos golpes. Com três filhos de pais diferentes, o primeiro, resultado de um casamento arranjado por seu pai, que por conveniências momentâneas, achou que deveria aceitar mesmo que a contra gosto; caso rejeitasse, ficaria em situação delicada com consequências talvez inimagináveis. O segundo, resultado de uma relação quando casada com um gigolô homossexual, que mais velho e em fim de carreira, lhe deu este presente no intuito de agredir seu honesto marido, que sem se envolver com a bandidagem era tido como fraco e covarde, e pela lei dos marginais, merecia cuidar de filhos alheios. O terceiro, resultado de uma relação ainda casada com um freguês arranjado por seu gigolô, pai do segundo filho, por estar velho e em fim de carreira, tentava conseguir para ela coisa melhor que o marido que detestava. O resultado foi este: filhos de pais diferentes sem conseguir nenhuma relação que prestasse e com biscates na mão de gigolôs.
Atualmente se encontrava com um que por coincidência da vida, foi auxiliado pelo seu ex marido por questões humanitárias. Além do ofício de gigolô, era biscateiro possuindo relações familiares com os parentes da messalina; seu ofício era pequenos negócios ilegais como golpes financeiros tipo boa noite Cinderela em homossexuais, agenciar transferência de drogas ou mesmo quantidades maiores sempre visando conseguir dinheiro.
Um fato inesperado dado pelo destino aconteceu entre aquele gigolô e a concubina. De forma inesperada se apaixona por ela, mas pela dureza da vida que vivia, este amor não se apresentou de forma sadia, vindo elaborado por uma violenta paixão com ingredientes de ciúmes e tentativas de domínio. Pela atividade que exercia não poderia evitar que aquela mulher bem apessoada, ganhasse a vida deitando com outros homens. Após oferecer-lhe exclusividade com casa e comida para uma vida a dois, prontamente rejeitada pois gostava da agitação em que vivia. Achava que não poderia se adaptar a uma vida regular de mãe de família, deixando para aquele homem o dia a dia da vida dura lá fora.  Ao ser rejeitado, criou em sua alma uma forte angústia vendo a mulher que amava ser abordada, negociar o amor, sair e voltar como se nada tivesse acontecido, e pior, nada podendo fazer.
Certa vez apareceu para ele uma oportunidade de agenciar uma entrega de droga em outra cidade. Imediatamente propôs que levasse o carregamento com entrega marcada na rodoviária da mega cidade e pagamento no final. Ao combinar o preço e fazendo contato prévio com o receptor, apanhou o ônibus no intuito de levar a entrega até seu destino. Durante a viajem achou que aquele homem violento, agressivo, ciumento, não deveria merecer sua confiança. Tinha plena consciência de tê-lo rejeitado e a dureza da vida lhe ensinou sobre vingança e ódio; fatos a serem considerados.
Mais ou menos uma hora antes do destino final, foi até o motorista do ônibus e pediu para desembarcar na estrada, pois não estava sentindo-se bem e queria ir a um médico, no que foi prontamente atendida. Aproveitando-se da proximidade, apanhou um táxi em direção à rodoviária. Lá chegando antes do ônibus, notou movimento policial próximo à plataforma em que desembarcaria. De longe, observou que o ônibus foi abordado por um grupo de policiais que após vistoria em todos os passageiros, nada encontrou.
Calmamente foi até o guichê da mesma viação e comprou a passagem com destino de volta, escondendo o material da entrega no fundo da bagagem. A noite procurou seu agente no negócio, devolveu-lhe a encomenda dizendo que havia sido delatada e avisada por telefonema anônimo que a polícia a estaria esperando. Disse-lhe que tinha sido vítima de uma traição, não sabendo a autoria. Decorrente a isto, evitou o local de encontro pois a polícia a esperava na rodoviária.
Com aquela dúvida na cabeça e o carregamento de droga na mão, mandou executar o traficante que com ele fez o negócio; tal execução foi interpretada pelos colegas do mesmo como um crime que necessitava vingança, o que foi feito por parte dos comparsas. Certo dia estando próximo a boate em que frequentava, foi assassinado de forma abrupta sem que ninguém soubesse o motivo.
Ao terminar o relato no confessionário da igreja, o padre pediu a dissoluta que rezasse uma ave maria por ela e duas pelo morto, dizendo que estava perdoada por ter sido vítima de um amor que se transformou em ódio pelos desencontros da vida.

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Por Um instante | Segunda-feira, 06 Setembro , 2010, 13:04

 

 

 

Seu ofício era ser informante; informalmente era funcionário público na prefeitura, pois como concursado deveria ter uma função para fins de recebimento do pagamento. Casado, vivendo uma relação tumultuada por brigas e desentendimentos com a esposa, constituindo uma família conflituosa. Possuía uma forte rixa com a cunhada, que por ser sua vizinha não teria como terminar a confusão. Apesar de ter um marido honesto calmo e trabalhador, sua cunhada demonstrava ter uma família mais tranquila e sem conflitos, e melhor, possuía somente uma filha.
O fato é que devido a desentendimentos familiares que se prolongaram até a cunhada, ele não tinha ambiente por ali, apesar de sempre seguir com a disputa. Sua rotina era perambular pelas ruas atrás de informações que conseguia dos subalternos, filtrando as que considerava conveniente para levar aos escalões superiores. Sempre pela esperteza do ofício, conduzia aos superiores fatos negativos dos desafetos ou promovendo os considerados amigos; assim seguia em frente.
No inicio dos tempos, ainda livre da instalação dos conflitos, sua mulher resolveu trabalhar fora deixando os afazeres domésticos em segundo plano, levando-o a almoçar na casa da cunhada, pois nesta época possuíam um bom relacionamento. Pela bondade e gentileza, observava nela atributos que não encontrava na esposa, desde dedicação à filha e ao marido até o gosto pela cozinha, não visualizados na esposa. Daí para uma proposta amorosa foi um pulo; estando eles a sós antes do almoço, já que o esposo dela só chegaria a noite e sua filha já tinha ido à escola, iniciou com fortes elogios a seus atributos físicos comparando suas vantagens sobre as da irmã dizendo que errou na escolha, pois deveria ter se fixado nela, mais nova com melhores atributos.
Apesar de conhecer o seu temperamento, delicadamente o pediu que parasse com a história, já que era bem casada e nada poderia fazer principalmente por ser ele marido de sua irmã, no que foi ignorada. Continuou insistentemente a comparar as duas até agarrá-la forçando um beijo. Começou imediatamente a despi-la, e como era mais forte, a cunhada por fraqueza de temperamento cedeu-lhe o corpo, visando livrar-se o mais rapidamente daquele monstro. Saiu sem nada falar; ela, por sua vez, pediu-lhe que não mais voltasse à sua casa no que respondeu que isto seria impossível pois estava apaixonado e disto não abriria mão.
Pela insistência de outras vezes, iniciou-se uma forte animosidade entre ele e a cunhada que acabou envolvendo o seu marido e sua irmã, sem que a verdadeira causa da briga ninguém soubesse, pois o que se sabia era que havia uma violenta peleja entre as duas irmãs e os dois maridos.
O clima não era bom mas a vida seguia em frente já que não era possível mudança de ambos os casais, pois os imóveis tinham sido herança e não podiam sair e pagar aluguel. Assim a vida seguiu até que certo dia bate a porta da cunhada um policial com ordem de prisão para seu marido, sob a acusação de ter cometido um crime. A denúncia partiu de uma testemunha ocular que o acusava de cometer tal ilícito, prontamente negado com alegação de inocência. Imediatamente foi informado o marido da irmã, que diante da grave acusação, solicitamente deixou de lado as desavenças pessoais arrumando os préstimos de um advogado seu amigo, que os atendeu e iniciou a defesa. Passado algum tempo, chega o dia do julgamento e após vários debates, o marido mesmo alegando inocência é condenado a trinta anos de prisão, crime este considerado de forte crueldade e em regime fechado. Após esgotados os recursos jurídicos e financeiros, já que com esta história teve que vender a casa e ir morar com a irmã, deixando de lado as desavenças passadas entre eles. Viu o marido ser conduzido a cadeia para cumprir a pena prevista, parecendo que ia passar lá o resto dos seus dias.
Após alguns anos de convivência entre as duas irmãs o marido e a filha, esta passou de certa forma para o campo da frieza, principalmente entre a cunhada e o marido da irmã, pois sabia que vivia situação de humilhação diante de um homem que havia feito sexo com ela de forma não consentida. Agora estava diante dele presa por favores impostos pelo destino, apesar de não mais possuir o vigor de antes consumido pelo vício do álcool, decerto não teria forças para novamente subjugá-la a seus desejos, limitando-se a uma convivência fria e apoiando no que podia, àquela mulher humilhada.
Passados dois anos de cumprimento da pena ocorre uma rebelião na prisão, e na reação policial, seu marido é abatido no que foi imediatamente avisada do acontecido. Desesperada e junto com o cunhado, procede os trâmites legais para o enterro, tornando-se uma mulher quase só pois havia a sua filha que crescia, e vivendo as custas do favor da irmã e do seu algoz.
Chega por fim a maturidade com uma ponta de velhice, ficando o cunhado bastante consumido pelo vício da bebida e dividido pelo fardo da cunhada e esposa que labutava no dia a dia para complementar a renda familiar, já que sua aposentaria mal dava para o sustento da casa. Aquele homem decaído pela bebida com visíveis sinais de derrota diante o vício, voltava a ficar em casa a sós com a cunhada tal como antigamente.
Certo dia, ele a chama e pede licença para falar, no que é autorizado pela sua generosidade. Inicia falando das injustiças cometidas como informante policial, coisa que a cunhada desconhecia as vantagens que obteve, direcionando o assunto para como colocar desafetos na prisão, conseguir testemunhas e preparar inquéritos tendenciosos. Por fim, fala do caso envolvendo seu marido em que praticamente conduziu todo o inquérito, orientando o delegado desde a produção de provas falsas até a derradeira testemunha, vital para a condenação de seu marido. Justificava que contava para ela a verdade, pois derrotado pelo vício, tornou-se vitima do amor que virou ódio pela rejeição e inveja, um misto de sentimento nefasto associado à facilidade de produzir calúnia. Dominado, não pestanejou em destruir a vida daquele homem honrado e bom, associado àquela boa mulher, destruídos pela mentira e ódio devido a fraqueza do caráter, ciúme, inveja, derrota e rejeição.
Atônita escutou a tudo e sem dar uma palavra, levantou, foi até a prateleira e apanhou um pacote de veneno de rato, colocou em meio copo de guaraná e depositou sobre a mesa ao lado da poltrona em que estava sentado. Postando impassível diante dele, disse que iria procurar a irmã para juntas retornarem. Ao chegarem em casa depararam com o cadáver do cunhado e marido ao lado de um copo vazio, sem que lhes fosse deixada nenhuma carta de despedida ou justificativa para tal.

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Por Um instante | Quarta-feira, 01 Setembro , 2010, 10:50

Bem sucedido profissionalmente, as custas de muito sacrifício e trabalho, progrediu. Construiu uma família composta por esposa e dois filhos, dedicando-se com afinco, nada faltando de material ou emocional caso por ventura necessitassem. Sua característica principal era o silêncio, tido como de poucas palavras evitando conflitos sejam de ordem profissional pessoal ou ideológica. Nunca era visto discutindo sobre qualquer tema e sempre que em alguma ocasião era impelido ou provocado à disputa, imediatamente calava-se, recolhia-se, não por covardia ou medo, mas por verdadeira aversão a este tipo de embate; não via nenhuma vantagem.
Em casa queria saber dos estudos dos filhos e da vida cotidiana, procurando sempre sair com eles e a esposa. Reservava burocraticamente uma noite por semana para algum jantar ou mesmo cinema ou teatro, que pudesse dar a ela alguma compensação emocional pela dedicação exclusiva à tarefa de ser mãe e administrar a casa cuidando dos filhos.
O sucesso chegava para ele por ser pessoa dedicada e estudiosa, embora não tivesse o apoio de grupos que pudessem alavancar sua carreira, e pela esperteza do olhar, de forma individual como um lobo solitário, aguardava a oportunidade pacientemente. Talvez tenha sido este método de atuação que o levou a estar no momento certo para alavancar a carreira de forma bem sucedida, mas que tinha um preço. Como tudo na vida é pago, seu preço só Deus e ele sabiam; agora pacientemente contava para aquela mulher que compartilhou com ele sua vida pessoal como secretária dedicada e sincera. Cuidava de toda sua vida dentro da empresa, nunca tinha notado nela uma falsidade, um deslize, nada que a desabonasse em sua atividade profissional.
De fato, além de profissionalmente competente, por ser solteira, tratava da vida profissional do chefe como verdadeira esposa. Dava a ele momentos de atenção e carinho compartilhando as dificuldades profissionais, coisa que sua esposa não poderia fazer já que pouco entendia e não tinha a vivência necessária para entender os trâmites do mundo dos negócios. Sua esposa achava que as carreiras eram lineares subindo os mais competentes por reconhecimento dos méritos pessoais e profissionais, e por tal, seu marido preenchia todos os quesitos necessários para avançar, já que possuía vida pessoal estável, por ela velada cuidadosamente. 
Sua secretária com discrição e competência nunca deixou revelar um sentimento a mais pelo chefe, que ele como homem compreendia como possível, intuía, enfim achava em seu íntimo que havia naquela mulher mais do que uma simples dedicação profissional, um zelo a mais que consigo chamava de amor. Apesar do conjunto da obra, zelo no serviço associado a conselhos profissionais e familiares, nunca chegaram aos prazeres do amor, menos por medo de avançar e mais pelas consequências materiais que isto acarretaria.Temia o desgaste familiar e o preconceito arraigado de que poderia prejudicar sua carreira profissional na empresa, e sabendo eventos escandalosos entre funcionários sempre emitia opiniões desabonadoras a respeito.
Apesar de um amor interesseiramente platônico, a confiança era total sob todos os pontos de vista, depois de obtido todos os postos e vantagens dentro daquela empresa. Por ter chegado ao auge não teria mais nada a ambicionar levando-o a uma revisão interior de sua vida, trazendo à tona um fato que foi o divisor de águas para o seu sucesso; enquanto falava, ela impassível e pacientemente o escutava.
Conta que ao ser admitido foi trabalhar em um departamento diretamente relacionado à diretoria, e junto a ele entrou o filho de um diretor que ocupava cargo chave de acesso à presidência. Ambos mantinham relação cordial mesmo porque sabia que suas chances em vencer o filho de um dos diretores, era mínima, restando além do conformismo, alguma migalha que pudesse daí advir, mesmo porque o relacionamento entre o pai e filho além de cordial e respeitoso mostrava a bondade do diretor para com ele, que por questões óbvias, privilegiava o filho. Dava contudo certo grau de atenção e admiração a ele, sabia de suas origens humildes e de sua ambição e dedicação pela empresa. Sempre achava que em algum momento também seria aquinhoado com alguma coisa, menos obviamente que o colega, pois decerto o melhor seria para ele e disto não tinha dúvidas.
Tratou portanto de agradar a pai e filho, pois no mínimo, sabia ser esta a melhor política, caso contrário, uma disputa certamente o levaria ao fracasso. O melhor era se conformar e esperar uma oportunidade em outra empresa talvez.
Sempre saia com o amigo procurando de certa forma cativar sua confiança, indo a festas, boates, quer dizer: conhecia mais ou menos seus hábitos, de certa forma bastante previsíveis.
Aos poucos por não ter condições de acompanhar o ritmo do amigo, a base de riqueza era evidente, o sucesso com as mulheres, os gastos e tudo o mais, levaram-no a se convencer de que aquele ritmo não era para ele, procurando manter uma relação mais formal já que a social estava levando a um desgaste desnecessário.
Passou com o tempo achar que devido a afinidade dele com o pai do amigo, caso aquele homem ficasse sem seu filho e não possuindo outro para colocar em seu lugar, algum lucro teria caso houvesse algum imprevisto em sua vida . Esta ideia passou a tomar corpo no seu interior e a cada conversa que tinha com o pai do amigo, notava uma relação positiva, mas certo que o pai iria privilegiar o filho por questões óbvias e que entendia perfeitamente.
Quem sabe, pensou ele, um assalto com morte mudaria a sua sorte com aquele homem, ideia esta que passou a atormentá-lo já que viviam numa grande cidade e este tipo de evento hoje em dia era uma rotina. Como tinha acompanhado todos os passos do amigo na preparação para assumir o lugar do pai na empresa, não seria absurdo pensar que na perda do filho, o amigo que a seu lado esteve poderia assumir o lugar a ele reservado. Esta ideia começava a deixar de atormentá-lo para silenciosamente tomar corpo em sua alma, deixando de ser um pesadelo, uma angústia, para tomar formato de plano, de insídia. Observou que não seria muito difícil executá-la, pois conhecia os passos do amigo e caso escolhesse um local adequado, pouco povoado, poderia quando saísse do automóvel sofrer um assalto com morte e perda de alguns pertences.
Providenciou uma arma clandestina e fez de forma discreta um curso de manejo, e ao se achar em condições de execução do plano, não pensou duas vezes. Como sabia o local em que naquela noite de sábado o amigo iria, pois o teria confidenciado, viu que pelas condições do mesmo, seu recolhimento e pouca gente, que aquele estacionamento seria o ideal para executar seu plano. Aguardando-o de forma discreta e prestando a atenção para saber se estava só, viu que era chegada a sua hora anunciando o assalto, no qual o amigo meio que desconfiado saiu do carro para entregá-lo, foi alvejado na cabeça sem defesa e com morte imediata. Procurou retirar alguns objetos pessoais e procedeu imediata fuga.
Ao ser informado pelo pai do amigo o acontecido, dirigiu-se ao encontro daquele que se tornaria mais tarde seu protetor e nesta hora de desespero mostrando amizade e compaixão, decerto daria mais consistência a seu plano. Como tudo ia bem foi ficando para os preparativos, velório e por fim enterro e com grande consternação chegou a chorar, não sabendo se pela perda do amigo ou se pela merda que tinha feito, tudo por ambição cega e covardia.
Daí para frente era só recolher os frutos daquela empreitada bem sucedida, pois segundo informações da polícia e acompanhadas atenciosamente por ele, infelizmente não havia nenhuma pista do assaltante, pois deveria segundo supunham os policiais, ser originário de qualquer favela das redondezas, ficando este como mais um crime a ser desvendado.
Notando estar em vantagem nos acontecimentos, procurava tocar a vida de forma discreta como sempre tinha feito e deixando para a espontaneidade dos fatos, a sorte sorrir-lhe como estava ansiosamente esperando. Ao retornar ao trabalho, assumiu todas as obrigações que eram de sua vítima, pois além de conhecê-las perfeitamente era a pessoa que profissionalmente estava mais habilitada a receber tais funções, e devido ao bom relacionamento com o chefe, não houve nenhuma objeção por parte dos demais membros da diretoria.
Daí para o sucesso foi uma questão de tempo até que devido ao desgosto pela perda do filho, aquele pai resolve se aposentar e deixar o amigo do seu filho no lugar, no que foi muito bem aceito pelos demais, advindo daí, uma carreira de sucesso.
Escutava atenta até que aquele homem livre do pesadelo que o atormentava a anos, silenciou e de cabeça baixa mostrava o alívio da consciência atormentada por um sucesso obtido pelo ódio, fraqueza e covardia, provocando nela o perdão dos apaixonados; levantaram-se, ela o abraçou e o beijou profundamente pois saberia ser esta a única oportunidade que teria.

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