Crônicas sobre a vida cotidiana, com o realismo pertinente. Histórias ou estórias muitas delas fruto da imaginação, ou mesmo retiradas ou conhecidas do folclore nacional, do imaginário popular, podendo ser verídicas ou não.
Por Um instante | Sexta-feira, 18 Março , 2011, 16:40

 

 

 

 

Estava próxima aos cinquenta anos, fisicamente bastante conservada, não chegando mesmo a aparentar o período da menopausa. Vivia com o marido um relacionamento bastante frio, já desgastado pelo tempo de convivência atordoada, baseado na acomodação e na distância. Possuia um casal de filhos que já casados levavam vida independente pouco visitando-a ou participando de seu dia a dia. 
No trabalho executava a função de ensinar, dava aulas num curso pré vestibular e em colégio para alunos do segundo grau. Levava portanto vida financeira independente daquele marido que por ela pouco se importava, recebendo em troca o mesmo comportamento e sentimento. Na sala de aula mostrava comportamento discreto, pois se relacionava com alunos em sua maioria na casa dos dezoito anos, idade esta, bastante promissora à acontecimentos inusitados. 
No curso pré vestubular tocava com naturalidade sua vida, até que certa vez seu melhor aluno, o mais dedicado, apresentou algumas dúvidas a serem tiradas em relação ao assunto exposto. Como a hora já dava sinais de adiantamento, inclusive avançando um pouco do horário da aula seguinte e devido ao grande interesse demonstrado pelo mesmo, deu seu telefone para caso ele necessitasse, continuassem a tirar as dúvidas em sua casa. 
Assim foi feito, ele a telefonou e despretenciosamente marcaram para sábado pela manhã uma hora para juntos tirarem as dúvidas finais. Como combinado, na hora marcada estava aquele aluno dedicado em seu apartamento, e ela um pouco agitada pelo inusitado do momento, principalmente se considerar-mos que estava só pois seu marido no sábado só retornava tarde da noite. 
Nunca tinha ficado frente a frente com um aluno daquela idade, principalmente considerando que vida sexual não tinha a bastante tempo, vivendo de momentos solitários, pois seu marido além de tratá-la com frieza, tinha vida sexual paralela, não se importando com sentimentos que poderiam abatê-la. 
Ao iniciarem os estudos estava ela bastante atenta à aquela situação, notou que discretamente o aluno dedicado e atencioso, a surpreendia olhando para dentro de seus seios, que devido ao bom estado de conservação, deixava uma interessante silhueta à mostra. Num exame mais minucioso ao ventre em final de adolescência, por estar ela de short, visando quem sabe, provocá-lo inconscientemente, observou certo volume abaixo das calças, chegando a conclusão que seu aluno exemplar estava com pensamentos extra curriculares, talvez algum sonho sexual. 
Ao terminarem os estudos convidou-o para o almoço e pelo adiantar da hora prontamente aceito por ele; enquanto preparava o almoço, que já estava pronto, bastando esquentá-lo no microndas, o asunto foi se encaminhando para vidas vividas, o cotidiano, os planos para o futuro. Neste vai e vem a conversa chegou até ao sexo, sendo confidenciado por ele nunca ter conhecido uma relação sexual, sincero por sinal, levando em conta sua dedicação aos estudos e acompanhada de certa timidez. A confissão sincera do aluno levou-o a dizer que nunca teve namorada, mesmo com dezoito anos e sendo sua experiência com sexo, por meios eletrônicos ou conversas com amigos. 
Após o almoço, a conversa seguiu amena com ela bastante desperta pelas confissões daquele aluno até sentaram juntos no sofá, e entre conversas, adormeceram. Ao acordarem notou-se abraçada àquele quase homem em que num momento de tormenta, abraçou-o e tirando sua roupa, começou a acariciá-lo, timidamente correspondida pela inesperiência mas que titubeantemente seguiu em frente até que completaram, orientada por ela, a primeira relação sexual daquele que era o seu melhor aluno. 
A partir daí começaram a tirar dúvidas todos os sábados pela manhã que sempre terminavam, agora sem timidez, com um tórredo conluio sexual, deixando ela com ares de agrado e satisfação, notado incusive pelo marido e pelas colegas. Passou no vestibular, e agora não mais seu aluno, passou a ser seu amante levando-a volta e meia a motéis com um vida sexual normal para ambos. A vida como ela é. 

 

 

 O que é? |  O que é?

Por Um instante | Domingo, 13 Março , 2011, 15:45

 

 

 Originário da Península Ibérica possuia antes de tudo alma cosmopolita, dado aos assuntos da filosofia e Cabala, constituindo-se basicamente em um homem bom, iniciado nos segredos da vida, tinha optado pelo sacerdócio por fé e grande curiosidade com a vida dedicada ao senhor. Chegou entre nós fugido de intempérides políticas, cuja vida profana que levou no velho continente foi trocada pelo celibato sacerdotal mais como forma de proteção do que propriamente de fé.

Levado a andar pelos caminhos do mundo, certa vez encontrou-se numa igreja do interior, e por ser só, passou a receber ajuda dos fieis principalmente das senhoras. Por falta de logística foi morar em casa próxima à igreja, atendido pelas famílias e principalmente por sua vizinha mais próxima. Na verdade morava em lugar ermo com precaridade de luz, possuindo atividade paralela que lhe dava confortável condição financeira. Chegava em casa à noite pois fazia ofício religioso na igreja, e por volta das vinte horas recolhia-se à seu quarto.
Na parte dos fundos morava ela com trinta e poucos anos, casamento sem muitas ilusões com o marido muito trabalhador mas que levava vida boêmia, por vezes saindo as sextas feiras e só retornando na segunda a noite. Insatisfeita com a situação, muitas vezes passando por necessidades materiais, aos poucos foi se aproximando daquele padre, primeiro no intuito de prestar-lhe os serviços que necessitava e posteriormente, por certa intimidade, apreciar sua companhia.
Com o passar dos tempos foi se apegando a ele, desabafando, e com o tempo adquirindo confiança por ambas as partes, ele por estar preso ao celibato sacerdotal e ela a fidelidade ao casamento, tornando-os bastante próximos e com certa cumplicidade secreta. Sempre que chegava em casa por volta das vinte horas aproveitava o escuro da noite e levava-lhe o jantar, já que não tinha empregada ou quem pudesse mandá-lo comida. Sempre sentava-se a seu lado levando prosa amena, sobre coisas não religiosas, política, governos, folclore, já que possuía curiosidade e cultura para cativá-la. Sem levar uma vida sexual regular com o marido e já mãe de treis filhos, certo dia foi surpreendida por um abraço seguido de um beijo prontamente correspondidos. Daí para frente passaram de livre e espontânea vontade a terem vida sexual regular, aproveitando desinteresse dela pelo marido que possuindo trabalho pouco higiênico, era levava por vezes a dormir sem banho noturno acarretando nela cada vez mais o afastamento, pois estava com alguém completamente oposto àquilo que possuia em casa. Passado um período juntos informou-lhe que seria mãe de um filho dele, no que foi prontamente aceito e correspondida pela alegria de dar àquele homem um filho, pois estava impedido de ter um por motivos de compromisso com o celibato.
Aproveitando os sinais inciais de gravidez, passou a ter com seu marido algum concurso sexual visando posteriormente informá-lo de que seria pai, evitando assim, questionamentos posteriores. Nove meses depois nasceu uma criança que foi bem recebida por ambos os pais e apresentada na igreja, como de praxe e posteriomente batizada pelo pároco que acabou tornando-se o padrinho pela proximidade com a família da criança.
Com o passar dos anos andava com aquele menino na garupa de uma moto dizendo a todos tratar de seu afilhado. Levava-o a todos os lugares que podia, inclusive em reuniões institucionais que participava. Apesar de ninguém saber que era o chefe institucional de algumas organizações, aquele menino tornou-se motivo de inveja já que era afilhado do padre e este o levava a todos os lugares. Com ele, visitou presos, sinagogas, igrejas de outros credos, sempre bem arrumado por ela e sempre na agradável companhia do padrinho.
Mergulhado em tormentas patrocinadas pelos inimigos ocultos e pelos falsos amigos, adoeceu, cuja luta e desespero provocado por desafetos que conheciam suas intimidades e as exploravam visando enfraquecê-lo e tirar o máximo de vantagem possível. Em meio ao agravamento de sua doença acabou por se internar no hospital local, dando margem a que seus inimigos apressassem sua morte através de medicamentos, pois entre eles estavam médicos e enfermeiros.
Por fim acabou falecendo quando seu filho tinha sete anos e deixando aquela mulher só, entregue a própria sorte e envolta por lembranças de momentos vividos à seu lado. Agora era só realidade, criar o filho, educá-lo e evitar que ficasse a mercẽ do ódio daqueles que atraiçoaram a seu pai e vivos permaneciam. A vida viria a ensinar ao seu filho que nem tudo que aparenta é, deixando a ele a descoberta da verdadeira face de seu passado, muito do que foi por ela ensinado e mais ainda pelo que lhe ensinaram; a vida é assim.

 O que é? |  O que é?

Por Um instante | Terça-feira, 01 Março , 2011, 12:58

 

 

Ela era uma mulher revoltada pelos enganos que a vida lhe havia apresentado. Solicitou ao criador por conta das sacanagens divinas que os homens que a partir de então a ela se apresentassem, viesem com etiquetas subliminares na testa que somente ela poderia ler, portanto ficaria grata ao divino criador pelos malefícios que sofrera e com este sortilégio esperava não mais se aborrecer no quesito macho. 
Estava ela na casa dos quarenta e poucos anos, trabalhava, fisicamente não estava muito caída, parecia bem cuidada, digo isto, porque não a tinha visto ainda pelada, quer dizer, nossa personagem fictícia, não aperesenta nenhum problema freudiano erótico sexual; quer dizer tinha somente um problema. O negócio é o seguinte, nossa personagem tinha casado por encomenda, quer dizer, aqueles casamentos arranjados mas que são bem naturais, isto é, todo muito faz gosto mas que não passa mesmo de um grande forçação de barra. 
O fato é que casou com aquele cara bonzinho, educado, estudado, filhinho da mamãe e rico. Depois de algum tempo, como todo casamento, virou uma grande de uma merda, cada um com sua mazela, e a dela, é que o cara dia sim dia não, chegava do trabalho e enchia a cara dela de porrada. 
Viveu por muito tempo esta vitrine de ter um bom emprego, bons amigos, sucesso aparente e felicidade, que na verdade, todos esperavam e pensavam estar acontecendo. Até que um dia finalmente, diga-se de passagem, por absoluto consenso entre as partes dirigiram-se ao cartório para selarem a morte anunciada daquele conto de fadas e se separaram. Dalí foi direto à igreja de Santo Antonio pedir ao santo, lealdade daqui para frente, isto é, quem quer que aparecesse e se aparecesse, o fizesse com uma etiqueta na testa dizendo a que veio. De fato, o velho Antonio não falhou e cada um que aparecia daí para frente, imediatamente ela lia em sua testa o tradicional 'A que veio'.
Andando na rua no intervalo do almoço da empresa em que trabalhava, resolveu fazer umas compras, e após, dirigindo-se ao escritório sofreu um esbarrão de um estranho que derrubou todos os seus embrulhos. Surge do nada um senhor mais ou menos de sua idade muito solicito e gentil procurando apanhar os pacotes no chão. Aquele homem educado deu-lhe mais que gentileza mas ela ao agradecer-lhe não retribuiu seu pedido de telefone; estava escrito na testa a palavra grosseiro. 
Certa vez resolveu sair com as amigas em um fim de semana dirigindo-se a um aconchegante e bastante recatado boteco, sendo apresentada a um amigo das amigas, diga-se passagem conhecido e como ela ex casado, bastante gentil, que iniciou uma agradável conversa. A noite correu muito suave, mas na hora de despedir-se, nem comentou um convite daquele conhecido para irem juntos ao apartamento dele; estava escrito na testa a palavra 'brocha'. 
Assim foi seguindo a vida evitando os desenganos que a própria a apresentava. Certo dia numa festa de amigos comuns, viu um desconhecido que a deixou bastante agitada para conhecê-lo, pedindo a todas as amigas que por favor a apresentasse aquele homem de meia idade, quieto, encostado discretamente na janela e tomando um drinque. Finalmente conseguiu que uma colega que o conhecia, a ela o apresentasse; estava escrito na testa dele MESA (megapiru, educado, sacana e amoroso). Não deu outra.

 

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