Crônicas sobre a vida cotidiana, com o realismo pertinente. Histórias ou estórias muitas delas fruto da imaginação, ou mesmo retiradas ou conhecidas do folclore nacional, do imaginário popular, podendo ser verídicas ou não.
Por Um instante | Quinta-feira, 12 Agosto , 2010, 13:53

 

 

 

 

Era uma mulher bem apessoada, calma, situada profissionalmente, casada, possuindo um casal de filhos; foi ao confessor para uma conversa reservada franca e aberta. Iniciou dizendo que era amante de um homem solteiro de mesma idade e trabalhador; tudo começou quando certa vez, abordada por ele, iniciaram conversa amena que depois de algum tempo os levou a certas intimidades verbais já que se conheciam desde a infância. Tomando coragem, convidou-a para irem até sua casa em lugar afastado e meio deserto por aquela hora.

Lá chegando deparou com uma confortável residência que servia de abrigo a uma só pessoa e demonstrou alegria por sua beleza material; sentaram-se e começaram relembrar dos tempos idos cuja inocência da época não permitiu se iniciarem nos prazeres do amor. Muito pela repressão, mais pelo medo do novo, do enfrentamento da vida e das barreiras criadas pelos preconceitos, o proibido, o pecado do sexo, enfim o medo de irem para o inferno.

Fantasmas que impediram a ambos, de forma livre, conhecerem aquilo que chamamos de amor, que na verdade, era busca do prazer confundido com sexo. Para ela, o amor estava no outro, não tendo forte conotação sexual ou de prazer, representava a solidariedade, a vida a dois, o compartilhar a dor e a alegria. O sexo era a forma de prazer consciente, que se controlado, poderia quando quizessem, reproduzirem, pois frutos de uma sociedade moderna saberiam controlar a prole dando mais espaço ao prazer a dois, diferenciando daquilo que chamam de amor.

Desta troca de experiências iniciais viram que as barreiras do passado estavam superadas, que ela estava burocrática e formalmente presa a outro homem, sem dividir nada, isto é, sem amor. Possuiam obrigações que de quando em vez daria prazer a ele, que pouco se importava em compartilhar com ela o prazer obtido, causando extrema frustação e posteriormente desinteresse de sua parte. Pelo seu entendimento de amor não passava mais do que um ato de extremo egoísmo sem compartilhamento de nada.

Notando o rumo franco da conversa e observando a insatisfação da amiga, como bom observador, entendeu que ela estava na verdade buscando compartilhar, colocar em prática aquilo que entendia como amor, mesmo sem paixão, mas que pelo menos dividisse o prazer obtido pelo macho. Que repartisse com ela o prazer, que a fizesse sentir-se realizada e não frustada por mais uma vez ter tentado compartilhar o desejo.

Observando a amiga sem muito o que esperar e considerando que tinha consentido ir até lá num gesto de confiança e cumplicidade, iniciou com várias carícias no que não foi rejeitado, indo para a cama, pois ela não conhecia a experiência extramarital, restrita a sonhos. Achou que a hora havia chegado, um misto de curiosidade e furor sexual reprimido no que foi ouvida pelo confidente, inclusive afirmando-se satisfeita ao relacionar-se com dois homens, pois os pecados seriam perdoados.
Para ela o entendimento de amor, sexo e prazer, eram coisas completamente diferentes e por não conhecer adequadamente nenhuma delas, a convivência familiar era egoísta completamente oposta daquilo a que chamaremos de amor.

Tais reminiscências são resultado de uma geração que se casou não para compartilhar mas por imposição social, interesse e medo de ficar só. Visando a oportunidade que na prática tornou o amor quase impossível, pois vencer o egoísmo realmente era muito difícil, buscou compartilhar o prazer evitando que após o sexo viesse a frustação ou o desânimo.

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