Crônicas sobre a vida cotidiana, com o realismo pertinente. Histórias ou estórias muitas delas fruto da imaginação, ou mesmo retiradas ou conhecidas do folclore nacional, do imaginário popular, podendo ser verídicas ou não.
Por Um instante | Terça-feira, 17 Agosto , 2010, 15:52

 

 

 

História inesperada era a daquela senhora solitária, corpo quase escultural, ainda mostrando as marcas da beleza dos tempos adolescentes em que era motivo de cobiça dos rapazes e elogios por parte dos mais velhos; após dez anos de convivência fria com seu marido, que sem muito esforço conquistou-a face a concorrência, já que por ele nutriu violenta e arrebatadora paixão, levando com o passar dos tempos, concluir ter sido este o seu maior engano na aventura de viver, resultando em separação e um filho.

Sua rotina era a vida a dois, ela e seu filho, que deixava com a vizinha durante o trabalho de professora primária, cujo salário complementava com a pensão recebida pelo ex marido, ficando por aí, sua participação na educação. Assim foi a vida, morando numa pequena casa de um quarto trouxe para perto de si a convivência com o filho, acompanhando só, as modificações que apresentava.

Lá foram alguns anos desde a saida do marido de casa, com o filho assumindo aspecto mais masculino pela chegada das características de homem; considerado muito bom, quieto e respeitoso, destoava dos outros ficando sempre em casa, dificilmente saindo, e quando o fazia, fazia em companhia da mãe no que era prontamente elogiado sendo motivo de alegria.

Certa vez, atormentada pelos conflitos interiores, resolveu confessar o segredo que a afligia pois uma mulher só e com um filho teria muitas dificuldades na vida. Com o florescimento dos caracteres masculinos do filho, disse que ele andava um pouco nervoso, talvez coisa da idade, ia ao banheiro e lá ficava um bom tempo levando-a imaginar aquilo que era muito provável que estivesse fazendo. Como a casa era pequena, o filho dormia na cama da mãe, costume antigo, já que não possuía marido deixava-o ali dormir. Durante a noite notava as modificações que a natureza lhe impunha começando a se fazer presente, apresentando ereções, coisa normal quando acordava.

A intimidade era comum como trocar de roupa na frente da mãe, fazer carícias para dormir, o que inicialmente era inocente despertou de forma lenta o lado de fêmea e de mulher, pois ele estava aos poucos tornando-se homem, forçando-a a trazer de volta, via imaginação, seu passado adolescente que afinal não estava tão longe assim, pois seu corpo não estava destruido pelo tempo mas apenas vivido, acarretando nela o redespertar da libido.

Certa noite, conta ela, já deitado e ela ainda trocando de roupa, ficou só de calcinha e sutiein, no que resolveu retirá-lo na frente do rapaz que a olhava com certa fixação, determinando nela a retirada da parte inferior da peça íntima, sob observação discreta mas firme do filho; com o olhar da maturidade adquirida ao longo da vida, viu que aquele olhar era mais do que filial, era também um olhar de homem a cobiçar de forma instintiva aquela mulher. Há muito tempo não conhecia tal sentimento, visto principalmente na juventude, pois naquela época entendia muito bem a cobiça através do olhar, cobiça do sexo, do macho querendo devorar ou abater a fêmea e despertando nela imenso prazer.

Ao estar diante de uma situação identificada no passado, imediatamente deitou nua a seu lado, no que ao abraçá-lo, liberou o furor sexual deixando-se permitir ao sexo, já que o rapaz não conhecia as delícias do prazer a dois, e ela, sem companheiro, também vivia de sonhos eróticos e nada mais.

Após descrever ao médico a iniciação sexual daquele seu bom filho, o doutor perguntou-lhe se tinha sido uma única vez ou se teria ocorrido outras (?), no que prontamente foi respondido que após a primeira tudo se transforma em natural rotina, sendo esta a razão do rapaz ser caseiro. Este era o motivo pelo qual tornou-se o único filho a fazer com ela caminhadas pela manhã pois sabia que a comida noturna era certa, dando prazer a ambos, deixando o terapeuta mudo.
Proibido sob o ponto de vista cristão ocidental, sabia que algumas mães no interior iniciam sexualmente seus filhos, menos por prazer, mais pela dificuldade em se obterem mulheres para aliviar os filhos, o fazem sem o tabu da proibição ou culpa, como forma de substituição do que lhes falta, satisfazendo o instinto do desejo e acalmando-os.
No seu caso, acarretava certo desconforto dividir este segredo com o filho, numa civilização cristã baseada na culpa e pecado, mas que devido a dificuldade de refazer a vida com um filho só ou de achar um parceiro para compartilhar-la, visto que esta baseia-se em anseios individuais, principalmente para os homens, que se associam à mulheres muito pela facilidade do prazer sexual.

O desconforto que o desejo acarretou, evidenciado mais pelo tabu da crítica do que a alegria do prazer, deixou nela um desalento inicial que com o passar do tempo foi acalmando-lhe o espírito e despertando o instinto adormecido do prazer.

Agora está em vantagem pois tinha um macho com o máximo de vigor sexual, arrebatado pela fase de prazer ainda pouco maduro em início de uma vida sexual, evidenciado nela pelo fato de ocorrer na maturidade, provocando o olhar assustado e incrédulo do confidente.

Em silêncio não teve palavras para condenar ou absolver, pois decerto não teria competência em dizer que faria melhor que um jovem, dando aquela mulher o prazer desejado mandando-a de volta a fase mais fértil da vida, atentando-se que acalmaria o furor instintivo de alguém que iniciava a vida.

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