Crônicas sobre a vida cotidiana, com o realismo pertinente. Histórias ou estórias muitas delas fruto da imaginação, ou mesmo retiradas ou conhecidas do folclore nacional, do imaginário popular, podendo ser verídicas ou não.
Por Um instante | Terça-feira, 01 Março , 2011, 12:58

 

 

Ela era uma mulher revoltada pelos enganos que a vida lhe havia apresentado. Solicitou ao criador por conta das sacanagens divinas que os homens que a partir de então a ela se apresentassem, viesem com etiquetas subliminares na testa que somente ela poderia ler, portanto ficaria grata ao divino criador pelos malefícios que sofrera e com este sortilégio esperava não mais se aborrecer no quesito macho. 
Estava ela na casa dos quarenta e poucos anos, trabalhava, fisicamente não estava muito caída, parecia bem cuidada, digo isto, porque não a tinha visto ainda pelada, quer dizer, nossa personagem fictícia, não aperesenta nenhum problema freudiano erótico sexual; quer dizer tinha somente um problema. O negócio é o seguinte, nossa personagem tinha casado por encomenda, quer dizer, aqueles casamentos arranjados mas que são bem naturais, isto é, todo muito faz gosto mas que não passa mesmo de um grande forçação de barra. 
O fato é que casou com aquele cara bonzinho, educado, estudado, filhinho da mamãe e rico. Depois de algum tempo, como todo casamento, virou uma grande de uma merda, cada um com sua mazela, e a dela, é que o cara dia sim dia não, chegava do trabalho e enchia a cara dela de porrada. 
Viveu por muito tempo esta vitrine de ter um bom emprego, bons amigos, sucesso aparente e felicidade, que na verdade, todos esperavam e pensavam estar acontecendo. Até que um dia finalmente, diga-se de passagem, por absoluto consenso entre as partes dirigiram-se ao cartório para selarem a morte anunciada daquele conto de fadas e se separaram. Dalí foi direto à igreja de Santo Antonio pedir ao santo, lealdade daqui para frente, isto é, quem quer que aparecesse e se aparecesse, o fizesse com uma etiqueta na testa dizendo a que veio. De fato, o velho Antonio não falhou e cada um que aparecia daí para frente, imediatamente ela lia em sua testa o tradicional 'A que veio'.
Andando na rua no intervalo do almoço da empresa em que trabalhava, resolveu fazer umas compras, e após, dirigindo-se ao escritório sofreu um esbarrão de um estranho que derrubou todos os seus embrulhos. Surge do nada um senhor mais ou menos de sua idade muito solicito e gentil procurando apanhar os pacotes no chão. Aquele homem educado deu-lhe mais que gentileza mas ela ao agradecer-lhe não retribuiu seu pedido de telefone; estava escrito na testa a palavra grosseiro. 
Certa vez resolveu sair com as amigas em um fim de semana dirigindo-se a um aconchegante e bastante recatado boteco, sendo apresentada a um amigo das amigas, diga-se passagem conhecido e como ela ex casado, bastante gentil, que iniciou uma agradável conversa. A noite correu muito suave, mas na hora de despedir-se, nem comentou um convite daquele conhecido para irem juntos ao apartamento dele; estava escrito na testa a palavra 'brocha'. 
Assim foi seguindo a vida evitando os desenganos que a própria a apresentava. Certo dia numa festa de amigos comuns, viu um desconhecido que a deixou bastante agitada para conhecê-lo, pedindo a todas as amigas que por favor a apresentasse aquele homem de meia idade, quieto, encostado discretamente na janela e tomando um drinque. Finalmente conseguiu que uma colega que o conhecia, a ela o apresentasse; estava escrito na testa dele MESA (megapiru, educado, sacana e amoroso). Não deu outra.

 

 O que é? |  O que é?

mais sobre mim
Março 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


posts recentes
arquivos
pesquisar neste blog
 
blogs SAPO
subscrever feeds