
Originário da Península Ibérica possuia antes de tudo alma cosmopolita, dado aos assuntos da filosofia e Cabala, constituindo-se basicamente em um homem bom, iniciado nos segredos da vida, tinha optado pelo sacerdócio por fé e grande curiosidade com a vida dedicada ao senhor. Chegou entre nós fugido de intempérides políticas, cuja vida profana que levou no velho continente foi trocada pelo celibato sacerdotal mais como forma de proteção do que propriamente de fé.
Levado a andar pelos caminhos do mundo, certa vez encontrou-se numa igreja do interior, e por ser só, passou a receber ajuda dos fieis principalmente das senhoras. Por falta de logística foi morar em casa próxima à igreja, atendido pelas famílias e principalmente por sua vizinha mais próxima. Na verdade morava em lugar ermo com precaridade de luz, possuindo atividade paralela que lhe dava confortável condição financeira. Chegava em casa à noite pois fazia ofício religioso na igreja, e por volta das vinte horas recolhia-se à seu quarto.
Na parte dos fundos morava ela com trinta e poucos anos, casamento sem muitas ilusões com o marido muito trabalhador mas que levava vida boêmia, por vezes saindo as sextas feiras e só retornando na segunda a noite. Insatisfeita com a situação, muitas vezes passando por necessidades materiais, aos poucos foi se aproximando daquele padre, primeiro no intuito de prestar-lhe os serviços que necessitava e posteriormente, por certa intimidade, apreciar sua companhia.
Com o passar dos tempos foi se apegando a ele, desabafando, e com o tempo adquirindo confiança por ambas as partes, ele por estar preso ao celibato sacerdotal e ela a fidelidade ao casamento, tornando-os bastante próximos e com certa cumplicidade secreta. Sempre que chegava em casa por volta das vinte horas aproveitava o escuro da noite e levava-lhe o jantar, já que não tinha empregada ou quem pudesse mandá-lo comida. Sempre sentava-se a seu lado levando prosa amena, sobre coisas não religiosas, política, governos, folclore, já que possuía curiosidade e cultura para cativá-la. Sem levar uma vida sexual regular com o marido e já mãe de treis filhos, certo dia foi surpreendida por um abraço seguido de um beijo prontamente correspondidos. Daí para frente passaram de livre e espontânea vontade a terem vida sexual regular, aproveitando desinteresse dela pelo marido que possuindo trabalho pouco higiênico, era levava por vezes a dormir sem banho noturno acarretando nela cada vez mais o afastamento, pois estava com alguém completamente oposto àquilo que possuia em casa. Passado um período juntos informou-lhe que seria mãe de um filho dele, no que foi prontamente aceito e correspondida pela alegria de dar àquele homem um filho, pois estava impedido de ter um por motivos de compromisso com o celibato.
Aproveitando os sinais inciais de gravidez, passou a ter com seu marido algum concurso sexual visando posteriormente informá-lo de que seria pai, evitando assim, questionamentos posteriores. Nove meses depois nasceu uma criança que foi bem recebida por ambos os pais e apresentada na igreja, como de praxe e posteriomente batizada pelo pároco que acabou tornando-se o padrinho pela proximidade com a família da criança.
Com o passar dos anos andava com aquele menino na garupa de uma moto dizendo a todos tratar de seu afilhado. Levava-o a todos os lugares que podia, inclusive em reuniões institucionais que participava. Apesar de ninguém saber que era o chefe institucional de algumas organizações, aquele menino tornou-se motivo de inveja já que era afilhado do padre e este o levava a todos os lugares. Com ele, visitou presos, sinagogas, igrejas de outros credos, sempre bem arrumado por ela e sempre na agradável companhia do padrinho.
Mergulhado em tormentas patrocinadas pelos inimigos ocultos e pelos falsos amigos, adoeceu, cuja luta e desespero provocado por desafetos que conheciam suas intimidades e as exploravam visando enfraquecê-lo e tirar o máximo de vantagem possível. Em meio ao agravamento de sua doença acabou por se internar no hospital local, dando margem a que seus inimigos apressassem sua morte através de medicamentos, pois entre eles estavam médicos e enfermeiros.
Por fim acabou falecendo quando seu filho tinha sete anos e deixando aquela mulher só, entregue a própria sorte e envolta por lembranças de momentos vividos à seu lado. Agora era só realidade, criar o filho, educá-lo e evitar que ficasse a mercẽ do ódio daqueles que atraiçoaram a seu pai e vivos permaneciam. A vida viria a ensinar ao seu filho que nem tudo que aparenta é, deixando a ele a descoberta da verdadeira face de seu passado, muito do que foi por ela ensinado e mais ainda pelo que lhe ensinaram; a vida é assim.
